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Amor da Minha Vida – Apenas mais um texto sobre amor

Um ideia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer

Eu gostaria de começar dizendo que eu sinto muitas coisas, acredito que existe alguém para ser o amor da minha vida e tenho um medo imenso de chorar, diferente da protagonista que persegui durante os últimos dias. Nós duas amamos coisas coloridas, quase como se a luz nos perseguisse dando vida nos mares de cimento das cidades que moramos.

Amor da Minha Vida é uma série que estrela Bia (Bruna Marquezine) e Victor (Sérgio Malheiros) como melhores amigos inseparáveis. Vivendo momentos diferentes em suas vidas amorosas, Victor mantém um relacionamento de longa data, no qual a monotonia do dia a dia já o incomoda, enquanto Bia se torna uma acumuladora de relacionamentos, cética sobre um dia sentir a magia do amor.

Não se engane, apesar de carinhas alegres, ambos estão confusos e perdidos, como todos aos vinte e poucos. Bia (de Bianca, não de Beatriz) é uma criança que não sabe lidar com os sentimentos. Isso a gente descobre no primeiro episódio, não é spoiler. Porém com o desgaste da vida amorosa, ao mesmo tempo que busca aventuras sendo imatura em seus relacionamentos, acaba imersa em trocas profundas com diferentes pessoas.

Sem anular nenhuma das histórias que esbarra ao longo dos anos, Bia se torna uma mulher um pouco menos confusa, pois a própria personalidade é uma coisa que ela nunca negociou.

Reprodução: Amor da Minha Vida

Diferente da protagonista, nunca soube por completo o que era ter um sonho. Quando criança queria ser manicure, porque tinha pavor de fios de cabelo, queria ser advogada na adolescência sustentando o sonho do meu pai em ter uma filha doutora, já mais velha pensei em ser internacionalista, porque a Fernanda Concon é minha crush sensata. Deus me livre saber para o que estava destinada nessa vida, diferente de Bia, eu posso me dar o prazer de tentar alguns rumos diferentes, por isso a escolha do curso de comunicação.

Mas até onde vamos para sustentar nossos sonhos? No caso da Bia, a falência. No entanto, artistas não desistem tão cedo e nada como a dor das decepções amorosas para alimentar a arte. Uma trama que aos poucos nos envolve em alegria, conforto e autodescobrimento. O reinventar da atriz a cada capítulo nos carrega numa viagem, como se acompanhássemos uma amiga próxima crescendo.

Reprodução: Amor da Minha Vida

Dentre as conexões à procura de um amor, a mais bonita é o despertar de Bia como escritora. Pensem comigo, nós ficamos onde somos bem recebidos, como atriz os testes sugam a protagonista ao ponto dela mesma não confiar em si, nos oferecendo uma atuação barata de “eu sei que eu sou uma ótima atriz poxa”. No entanto, nas publicações de seus textos, tudo que recebe é apoio de amigos e desconhecidos, e refletindo um pouco desse amor que recebe, ela entrega um trabalho sincero, profundo e dedicado.

Mas além desse carinho, a profissão escancara a autoconfiança que estava escondida na personagem. É necessário coragem e sabedoria para colocar em palavras sua própria história, sem atacar os coadjuvantes que te machucaram no caminho. Assim, é na construção dos monólogos, que vemos verdadeiramente Bianca se entregando, se conhecendo, se reinventando e tirando as dúvidas do caminho.

Tá na hora de parar de assistir a vida dos outros e finalmente dar um rumo pra minha.

De atriz à diretora, finalmente quando Bia decide tomar conta do próprio enredo, os sentimentos de Victor tropeçam na história. Se rendendo à familiaridade e ao conforto de uma amizade de anos, num momento de mudança e incertezas, uma lista de despedida também seria minha escolha de terapia, e entre as muitas tarefas a cumprir, a mais importante também seria encontrar o sonho perfeito.

O familiar também guarda muitos desafios, entre eles a regra implícita nas amizades, “não pegar o seu melhor amigo, vai dar merda”, pelo menos eu achava que esse seria o maior dos obstáculos a ser enfrentado por eles. Porém, amar é complicado, ser adulto é complicado, dividir a rotina com outra pessoa é complicado, e ninguém enfrenta essas coisas sozinho, sempre podemos contar com a companhia de uma melhor amiga pra isso, mas é sempre mesmo?

Reprodução: Amor da Minha Vida

Eu sou a pior pessoa para dar conselhos de relacionamentos, é por isso que eu e minhas amigas resolvemos esse tipo de coisa perguntando pro tarot, e é decepcionante saber que nem o universo tem todas as respostas. Temos que enfrentar diariamente um mundo repleto de dúvidas que não serão respondidas, e relações recheadas com uma falta de obviedade que nossa única saída será chorar e viver.

Às vezes a nossa dose de realidade do mundo pode ser encarar uma protagonista real, comum, que quando está triste acaba literalmente numa lata de lixo, com o sonho da década, errada em absolutamente todas as situações, uma egocêntrica extremamente empática e que não acredita no amor.

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