Paralimpíadas Na Área | Alana Maldonado em busca de ser bicampeã no Judô

Os Jogos Paralímpicos Paris 2024 acontecerão entre os dias 28 de Agosto e 8 de Setembro, com 280 representantes, o Brasil contará com sua maior delegação paraolímpica da história em uma edição. Ao todo, haverá brasileiros em 20 das 22 modalidades — apenas o basquete e o rúgbi não terão atletas nacionais representando o país.

O Judô brasileiro, assim como nas Olimpíadas, é uma das modalidades na qual o Brasil mais se destaca.

Na Paralímpiada, o judô ocupa o terceiro lugar como modalidade mais vencedora com 5 ouros, 9 pratas e 11 bronzes, contanto com ao todo 25 medalhas conquistadas. É necessário ressaltar que o esporte é exclusivamente praticado por atletas com deficiência visual, seja ela cegueira completa ou parcial, seguindo as regras convencionais da modalidade.

A TRAJETÓRIA DA CAMPEÃ EM TÓQUIO 2020 

Foto: Foto: Matsui Mikihito/CPB


Alana Martins Maldonado, a atual campeã olímpica em Tóquio 2020 na categoria até 70 kg, descobriu aos 14 anos a doença de Stargardt — uma doença genética recessiva autossômica associada à degeneração macular juvenil, que causa perda progressiva da visão. A paulista natural de Tupã já praticava judô desde os 4 anos, mas somente ao ingressar a faculdade 10 anos atrás, ela começou a se dedicar ao judô paralímpico.
Desde 2014, ela começou figurar no cenário nacional e internacional como uma forte atleta, conquistando um tetracampeonato nacional na sua categoria de 2014 a 2017, e em seu primeiro campeonato internacional ela venceu o bronze em 2015. Era nítido seu diferencial e sua técnica dentre as demais atletas.
No entanto, somente em 2016 em terras brasileiras, Alana começaria a escrever sua história em Jogos Paralímpicos. Logo na sua primeira Paralimpíada, Alana chegou à final e conquistou uma prata, sua primeira medalha, mas já demonstrava seu potencial e sua força como atleta.

Durante a preparação para a próxima edição dos Jogos Paralímpicos, Alana venceu um campeonato mundial em 2018, em Portugal, e tornou-se bicampeã da Copa do Mundo de Judô em 2017 e 2018.

Em Tóquio 2020, Alana não chegava mais como uma promessa estreante, mas sim como uma campeã favorita e experiente judoca. A paulista entrou para a história nessa edição, tornando-se a primeira mulher a ganhar ouro no judô em Jogos Paralímpicos. Além disso, sagrou-se a atleta mais vencedora do Prêmio Paralímpicos, conquistando em 2023 seu sexto troféu de votação popular.

PARIS 2024

Com 28 anos, Alana chega à sua terceira edição de Paralimpíadas após se tornar campeã mundial em 2022, ao vencer a turca Raziye Ulucam na categoria até 70 kg para atletas da classe J2, ou seja, deficiência visual parcial.
A comissão de atletas para Paris 2024 segue a tendência, assim como nas Olimpíadas, de mesclar atletas mais experientes — principalmente nas categorias de peso mais pesado — com possíveis promessas em categorias mais leves. Portanto, é possível que esta seja a última Paralimpíada da campeã paralímpica brasileira, visto que na próxima edição ela estará com 32 anos, e, por ser da categoria até 70 kg, é algo mais raro de se ver.

Por fim, Alana pode marcar seu nome mais uma vez na história do judô caso suba ao pódio mais uma vez.