Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, foram emitidas cerca de 3,4 milhões de toneladas de CO2, quantidade equivalente a cerca de 170 mil caminhões de areia.
-28 de março de 2025
Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, foram emitidas cerca de 3,4 milhões de toneladas de CO2, quantidade equivalente a cerca de 170 mil caminhões de areia.
Sustentabilidade é um termo bastante usual hoje em dia como sinônimo de desenvolvimento sustentável. Está sempre relacionado a maneiras de minimizar o impacto negativo no meio ambiente, equilibrando crescimento econômico, bem estar social e proteção ambiental. A ideia também passou a fazer parte dos megaeventos, sejam eles culturais, esportivos ou de entretenimento, marcados pela mobilização humana em larga escala e que atraem um grande número de pessoas para um determinado local, como as Olimpíadas de Paris, que se propuseram a ser as mais sustentáveis da história, mesmo mobilizando mais de 9,5 milhões de pessoas. Eventos desse porte geram impactos ambientais significativos como o aumento da poluição do ar, maior geração de resíduos e maior emissão de carbono.
Dados estimados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) comprovam que a emissão de carbono nesses eventos acaba atingindo níveis altíssimos. Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, foram emitidas cerca de 3,4 milhões de toneladas de CO2, quantidade equivalente a cerca de 170 mil caminhões de areia. No Rio de Janeiro, em 2016, as emissões alcançaram 3,5 milhões de toneladas. As Olimpíadas de Tóquio, em 2021, mobilizaram um número reduzido de participantes devido às restrições de biossegurança ainda vigentes decorrentes da epidemia da covid-19, diminuindo as taxas de emissão para 2,73 milhões de toneladas. Nesse mesmo evento, foram comprados o equivalente a 4,38 milhões de toneladas em créditos de carbono.
Ao se colocarem como sustentáveis, esses megaeventos atendem às expectativas da sociedade quanto à proteção ambiental e ainda desfrutam de benefícios como reconhecimento, melhoria da reputação e da imagem, além de, em alguns casos, reduzirem custos de realização. No entanto, segundo o professor de Geografia Política da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Leonardo Civale, o lucro é, muitas vezes, priorizado acima de qualquer outra consideração e a sustentabilidade pode se transformar em uma forma de propaganda verde.“A sustentabilidade seria apenas um marketing do capitalismo, pois não há a menor possibilidade de megaeventos sustentáveis em um sistema capitalista. Toda a natureza é transformada em recurso”, explica. Em uma sociedade onde tudo é tratado como mercadoria, o meio ambiente não é exceção.
Medidas como o uso de energias renováveis e a reciclagem ajudam na mitigação dos impactos ambientais. No entanto, o problema reside no uso do termo sustentabilidade e em como ele frequentemente é aplicado para servir a interesses próprios e não para buscar uma vida sustentável para o planeta.